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Decisão de Fachin encoraja outros réus da Lava-Jato

Condenados pela 13ª Vara Federal de Curitiba podem se beneficiar com deliberação do ministro do Supremo sobre incompetência de foro de Curitiba para julgar processos da operação

Por Bárbara Pombo — De São Paulo

12/03/2021 05h00

A decisão desta semana do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que anulou condenações em quatro processos penais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem repercussões maiores para o futuro da Operação Lava-Jato do que a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, em análise pela 2ª Turma da Corte.

Condenados pela 13ª Vara Federal de Curitiba – nos casos do sítio de Atibaia, do tríplex do Guarujá, da sede e das doações ao Instituto Lula – tendem a se beneficiar automaticamente da decisão de Fachin, se confirmada na 2ª Turma ou no plenário do STF. O ministro considerou que a Justiça Federal de Curitiba não poderia ter julgado os processos, competência que caberia à Justiça do Distrito Federal.

O advogado Alberto Toron, que representa Fernando Bittar, apontado como dono do sítio de Atibaia, diz que a decisão vale para todos os acusados que fazem parte das quatro ações. Lula, Bittar, Emilio Odebrecht, Léo Bittar e outros seis réus foram condenados no caso de Atibaia.

O entendimento não se aplica automaticamente aos réus em processos que não tenham relação direta com a Petrobras. Pode, porém, ser usado para reforçar o argumento de que os casos devem recomeçar na Justiça de outros Estados, ganhando tempo e novas perspectivas de resultado. “É possível desde já usar a decisão para pedir o deslocamento da competência”, afirma Pierpaolo Bottini, criminalista que também defendeu réus na Lava-Jato.

Já a declaração da suspeição de Moro terá pouca valia para outros réus. Se confirmada na 2ª Turma, beneficiará apenas o ex-presidente em uma das quatro ações penais em que é réu.

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