Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, é absolvida na Lava Jato

1. Folha On-Line - SP (26/05/2017)

Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, é absolvida na Lava Jato

ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA

25/05/2017 18h38

A jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi absolvida pelo juiz Sergio Moro, na ação em que era acusada de ter se beneficiado de propina desviada da Petrobras em favor de seu marido.

A informação foi antecipada pela colunista Mônica Bergamo.

Para o juiz, faltou materialidade à acusação, que não conseguiu demonstrar o rastro do dinheiro até a conta da jornalista.

Cruz foi denunciada sob acusação dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas —os valores ilegais, segundo a Procuradoria, foram gastos a partir de uma conta na Suíça, em nome da jornalista. O dinheiro pagou por bolsas de luxo, roupas de grife e aulas de tênis no exterior.

O dinheiro seria parte da propina de US$ 1,5 milhão paga a Cunha, para viabilizar a compra, pela Petrobras, de um bloco para exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

Documentos demonstram, porém, que o saldo da conta de Cunha, de onde teria saído o repasse para a mulher, era dividido por moedas -e que os valores oriundos do acerto em Benin estavam em francos suíços e euros. A transferência para a jornalista, porém, foi feita em dólares.

"[O produto do crime] não foi destinado, sequer em parte, à conta em nome da Kopek [de Cláudia Cruz]", escreveu Moro, para quem é necessário "aprofundar o rastreamento" das contas.

Para o magistrado, também faltou demonstrar o dolo da jornalista, já que ela afirmou que era Cunha quem fazia a gestão financeira da família e que não suspeitava que o dinheiro pudesse vir de corrupção.

O juiz disse que os documentos de abertura da conta demonstram que, de fato, ela foi aberta para alimentar cartões de crédito -como argumentou Cruz.

Para Moro, não há provas de que Cruz teve participação no crime de corrupção, e nem de que "tenha participado conscientemente nas condutas de ocultação e dissimulação".

Além de Cruz, também foi absolvido o empresário Idalécio Oliveira, que vendeu a concessão à Petrobras e pagou pela propina. Para Moro, há "dúvida razoável" se ele sabia que o dinheiro, pago a título de consultoria ao operador João Augusto Henriques, seria destinado a agentes políticos.

O juiz, porém, condenou pelo crime de corrupção o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada, cuja diretoria era responsável pelo contrato; e o operador João Augusto Henriques, apontado como responsável pela operação de lavagem de dinheiro.

OUTRO LADO

O Ministério Público Federal afirmou que irá recorrer da sentença.

O advogado Pierpaolo Bottini, que defende a jornalista, festejou a decisão. "Entendemos que foi feita a justiça", disse. "A sentença judicial reconheceu que não houve qualquer ilegalidade nas condutas de Claudia Cruz."

Em depoimento a Moro, Cruz afirmou que "não fazia ideia" de onde vinha o dinheiro que abastecia sua conta, e que não falava sobre o assunto com Cunha.

"Em casa, eu não era jornalista. Eu era a Cláudia, e ele, meu marido", disse. "Ali não tinha ninguém fazendo entrevista ou perguntando nada. Eu era apenas esposa e mãe."

A Folha ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais acusados.